Epilepsia X Gravidez

Epilepsia X Gravidez

A epilepsia trata de um conjunto de distúrbios neuronais incontroláveis que atingem cerca de 1% da população mundial. A principal característica desse distúrbio é a ocorrência de crises epiléticas, que podem prejudicar a qualidade de vida de quem convive com a doença.

Epilepsia: Cuidados Durante a Gravidez

Ao receber a notícia da gravidez, algumas mulheres suspendem o uso da medicação que controla suas crises devido ao fato de que a exposição do feto a certos anticonvulsivantes traz o risco de malformações congênitas. Porém, o efeito danoso de alguns tipos de crises epiléticas pode ser mais grave do que os próprios anticonvulsivantes. Por isso, o mais recomendável, é manter a medicação de controle e verificar a possibilidade de otimização da dose, mas sempre com acompanhamento médico.

Para as mulheres que não apresentam crises há mais de 2 anos, o médico pode avaliar a suspensão da medicação tanto durante o planejamento da gravidez quanto durante o primeiro trimestre de gestação. É importante jamais suspender a medicação por conta própria, mesmo que a mulher não apresente crises, e sempre preferir, na medida do possível, medicamentos únicos e em doses menores, que sejam capazes de controlar as crises. É recomendável o uso de ácido fólico pelo menos três meses antes da gravidez e durante o primeiro trimestre da gestação a fim de prevenir as malformações trazidas pelos anticonvulsivantes.

O risco de se ter problemas fica bem reduzido se houver um planejamento apropriado, além de outros cuidados que não estão ligados ao uso da medicação como: evitar o uso de suporte corporal para transportar a criança, dando preferência sempre ao carrinho; optar pelo uso do chuveirinho ao invés de banheira para dar banho no bebê e trocar as roupas do bebê em locais baixos ou no chão, para prevenir possíveis danos caso a mãe tenha uma crise.

Epilepsia: Parto e Amamentação

O parto deve ser realizado com serviço especializado em gravidez de alto risco. Apesar de ser considerada de alto risco, a mãe pode ter uma gestação e parto normais, mas para isso é recomendável que seja uma gravidez planejada pelo menos um ano antes para que o médico possa realizar ajustes da dose e da medicação a ser usada.

Com relação aos cuidados necessários na amamentação, deve-se tentar dormir o suficiente todas as noites pois a falta de sono e o cansaço podem aumentar as crises. É recomendado então que se faça uso de mamadeira intercalada com o peito.

Mulheres portadoras de epilepsia podem amamentar o bebê normalmente, mas alguns medicamentos utilizados no tratamento da doença podem interferir no comportamento da criança. O médico deve ser notificado caso o bebê apresente efeitos adversos como excesso de sonolência ou agitação, pois ele irá avaliar se a amamentação será reduzida ou, se necessário, suspensa.

Como as convulsões podem ocorrer inclusive durante a amamentação, deve ser feita de preferência no chão, em uma poltrona ou deitada na cama. Isso irá evitar que a criança se machuque caso caia do colo da mãe.

Epilepsia: Conheça os Riscos dessa Gravidez

Durante a gravidez, as crises epilépticas podem diminuir ou aumentar, mas costumam ser mais regulares geralmente no terceiro trimestre da gestação e próximo ao parto. O aumento das crises nesse período podem ocorrer principalmente por causa das alterações comuns que acontecem nesse momento da vida da mulher, como o aumento de peso e alterações hormonais. Além disso, a frequência com que as crises ocorrem também pode acontecer devido à redução ou troca dos níveis de medicação em algumas fases da gestação por medo de causar problemas de saúde ao bebê.

Além da malformação genética como lábio leporino, espinha bífida ou problemas no coração do feto, outras complicações podem acontecer durante a gestação de pacientes com epilepsia, como o parto prematuro ou atraso no desenvolvimento, causando baixo peso ao nascer; aborto espontâneo ou morte do bebê após o nascimento; pré-eclâmpsia ou sangramento vaginal.

Nem sempre é visível se as complicações existem devido às crises da própria doença ou ao uso dos medicamentos anticonvulsivantes, porém o Valproato é o mais associado a maiores chances de malformações fetais. As medicações escolhidas têm um papel muito importante no sucesso da gravidez, tanto em relação ao controle das crises da mãe quanto a proteger a saúde do bebê.

Apesar de ser uma doença séria, o diagnóstico de epilepsia não impede o sonho de ser mãe quando tomados os devidos cuidados.