Tudo que você precisa saber sobre Epilepsia Mioclônica

Tudo que você precisa saber sobre Epilepsia Mioclônica

A palavra mioclonia deriva do grego myoclonus. Myo (músculo) e clonus (perturbação, inquietação). A epilepsia mioclônica consiste em movimentos mioclônicos que podem ou não evoluir para crises convulsivas generalizadas. Tais movimentos costumam iniciar-se na segunda década de vida do indivíduo, com preservação da consciência durante o ocorrido, tendo pico de incidência entre os 14 os 16 anos.

Esses movimentos mioclônicos são contrações involuntárias de breve duração, semelhante a um choque, que podem variar em termos de gravidade e distribuição. As contrações podem ser reduzidas a um grupo de fibras musculares, podem envolver um músculo por completo, ou um grupo deles.

A amplitude dos abalos é variável. Em alguns casos, podem ser observadas sutis contrações que não são capazes de provocar um movimento visível e em outros casos podem ocorrer contrações intensas que movem os membros, a cabeça ou até mesmo o tronco.

As crises são comuns geralmente ao acordar, muitas vezes precipitadas por privação do sono ou estresse. Em cerca de 80% dos casos de epilepsia mioclônica, costuma haver a simultaneidade com crises generalizadas do tipo tônico-clônicas, com perda da consciência, abalos musculares e liberação dos esfíncteres (estruturas musculares contrátil com o formato de anel, responsáveis por controlar o grau de extensão de certo orifício).

Diagnóstico da Epilepsia Mioclônica

O diagnóstico nesses casos é baseado no histórico, no quadro clínico do paciente e nas características das crises, juntamente com o eletroencefalograma (EEG) que serve como auxílio quando há a presença de descargas generalizadas. O EEG é indispensável para a avaliação das mioclonias pois, naquelas de origem epiléptica, registram-se descargas epileptiformes associadas à contração mioclônica, entretanto, a simples presença de mioclonias e de alterações epileptiformes nem sempre significa epilepsia. São realizados também exames de imagem para excluir lesões estruturais do cérebro.

É importante para um diagnóstico preciso, a presença de testemunho à parte de algum familiar, além da história descrita pelos próprios pacientes. O conhecimento de suas características clínicas, epidemiológicas e terapêuticas é de suma importância para evitar a ocorrência de erros diagnósticos e diagnósticos tardios.

Fatores Estimulantes da Epilepsia Mioclônica

Alguns fatores podem desencadear as crises de epilepsia mioclônica, especialmente frequentes em adolescentes. Dentre eles estão:

  • Privação de sono;
  • Cansaço;
  • Deixar de tomar a medicação;
  • Infecções;
  • Estresse;
  • Consumo de bebidas alcóolicas;
  • Estímulos visuais repetitivos (fotossensibilidade).

Tratamento da Epilepsia Mioclônica

O tratamento consiste na correção das causas reversíveis e, quando necessário, pode ser medicamentoso, utilizando drogas anticonvulsivantes, capazes de bloquear a mioclonia e, como consequência, impedir a ocorrência das crises.

O valproato, levetiracetam e as benzodiazepinas são os mais benéficos no tratamento dos tremores e mioclonias, devido aos seus efeitos combinados a antiepilépticos e antimioclônicos. Após um período de pelo menos cinco anos sem crises, costuma-se fazer a tentativa de desmame dos anticonvulsivantes.

A epilepsia mioclônica é uma síndrome que merece acompanhamento especializado e criterioso, pois apesar de normalmente ter-se o controle sobre as crises com a terapêutica correta, necessita de acompanhamento em longo prazo, visto que não há tendência de cura neste tipo de epilepsia. Há então a possibilidade de controlar as crises após implementado o tratamento adequado.